Advogados: serviços de streaming devem reforçar ação
Além de burlar os termos de uso do sites, inflar a contagem artificialmente é crime? Sim, caso seja provado o uso de robôs ou outros acessos que não de ouvintes reais. A fraude pode ser considerada estelionato, por provocar prejuízo a outros músicos ou aos serviços de streaming, diz o advogado criminalista Diogo Tebet, Presidente da Comissão de Processo Penal da OAB-RJ.Músicos (que podem ganhar menos dinheiro na divisão dos serviços de streaming e perder o lugar em shows e outras mídias diante dos fraudadores) ou empresas de streaming podem pedir ao Ministério Público para investigar a prática, caso se sintam lesados, diz Tebet.No entanto, seria difícil investigar a origem dos acessos e comprovar como e quando os robôs foram usados, especialmente com os sites estrangeiros. É difícil apontar uma infração, pois há pouca regra específica para essa área digital, diz Luiz Fernando Marrey Moncau, de 35 anos, pesquisador do Stanford Center for Internet and Society.O caso de vendas de lugares em playlist é ainda mais difícil de ser questionado legalmente, diz Moncau. O Brasil não tem regras específicas nem contra a prática de jabá em rádios.O G1 perguntou ao Google e ao Spotify (líderes no mercado de streaming de música) e ao ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) se eles pediram ou vão pedir investigação. Nenhum deles respondeu a este questionamento. O Ministério Público de São Paulo também foi procurado e disse que não há investigação sobre este assunto.O mais provável, por enquanto, é que a solução venha com medidas das próprias plataformas de streaming, dentro de seus ambientes. Daniel Campello Queiroz, advogado e dono da CQRights, empresa que gerencia direitos autorais musicais, diz que as empresas devem investir nas ferramentas para perceber e banir os robôs.A perda para os artistas que não fraudam seus números é clara: eles acabam ganhando menos direitos autorais. Mas todos podem se dar mal. O artista que faz isso, caso se descubra e prove, certamente vai perder sua credibilidade perante os fãs e a indústria.
O que dizem Google e Spotify
Tanto o YouTube quanto o Spotify permitem publicidade paga oficial em suas plataformas. Esses anúncios, legítimos, podem ajudar os artistas a divulgarem seu trabalho e terem mais visualizações. Mas o material deve ser claramente indicado como conteúdo publicitário das empresas, e só vai fazer o número subir se um usuário real clicar e ouvir a música.É do interesse deles, portanto, combater estes atalhos de manipulação de números pelos usuários, como os robôs, as fazendas de likes e a venda de playlists particulares.Eles enviaram notas ao G1:
Google: A contagem de views é incrivelmente importante para nós no YouTube. Nós tomamos ações contra views gerados de maneiras que não seguem nossas regras, incluindo tentativas de terceiros de inflar artificialmente a contagem.
Spotify: Nós levamos a atividade de streaming fraudulento extremamente a sério. O Spotify possui várias ferramentas de detecção de fraude monitorando o consumo no serviço para detectar, investigar e lidar com atividades fraudulentas. Continuamos a investir pesadamente nos processos de refinação e na melhora dos métodos de detecção e remoção, para continuarmos reduzindo o impacto dessa atividade nos criadores de conteúdo e detentores de direitos legítimos.



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14/11/2017
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Sucesso fake: músicos fraudam números de streaming
Fonte da Notícia:
https://g1.globo.com/musica


O número que você vê abaixo de um clipe no YouTube ou de uma faixa no Spotify é cada vez mais importante para os músicos. Em um mundo em que a música é mais digital e menos física, ter muitos plays na internet indica sucesso, rende direitos autorais e leva a convites para shows, festivais e outras mídias.
Esses números podem significar muito para a carreira de um artista. Mas, para o público, eles nem sempre representam uma coisa: a verdade. Na batalha para aparentar sucesso, artistas têm usado outros aliados além de fãs reais. A guerra para aumentar a contagem envolve robôs e exércitos de falsos ouvintes que fraudam as cifras.
Vários sites cobram para inflar artificialmente os números, mesmo que serviços de streaming proíbam a prática nos termos de uso e tentem monitorar e banir fraudadores. Advogados dizem que a manipulação da contagem pode ser considerada crime de estelionato na lei brasileira, mas, já que ela acontece em sites estrangeiros, o processo legal seria difícil.

Dá para comprar qualquer coisa no submundo do falso sucesso:

Quer mil views a mais no seu clipe? Um site oferece o serviço por cerca de R$ 16. Pouco? Outro promete 2 milhões de tocadas por R$ 7,2 mil.
Também há venda de seguidores, likes e até unlikes (eles recomendam incluir um pouquinho de descurtidas em meio a um pacotão de curtidas, para parecer mais natural).
De onde vem esse milagre da multiplicação? Todos os sites contam a mesma história: têm uma rede de parceiros, ouvintes reais. O discurso comum é que todos os plays são orgânicos.
Em fóruns, músicos, usuários e programadores dizem que os acessos podem vir de outros lugares:
Vários sites de venda usam robôs, ou seja, computadores programados para acessar automaticamente vídeos ou realizar outras interações para aumentar os números.
Há também fazendas de likes. Geralmente funcionam em locais pobres da Ásia. São painéis com centenas de smartphones que ficam o tempo inteiro gerando esses cliques (diretamente por pessoas ou controlados por PCs.
O último truque é negociar espaço em playlists populares. Há site de classificados com gente cobrando para incluir músicas em listas com milhares de seguidores. Já que as playlists são as novas rádios, essa prática pode ser chamada de jabá 2.0.
A fraude pode prejudicar os artistas que não a praticam. A renda de direitos autorais do streaming sai de uma parte do faturamento de empresas, como Google (dona do YouTube) e Spotify. O montante é distribuido aos artistas de acordo com o número de execuções das músicas. Ou seja: quem tem plays falsos pode ganhar mais e tirar parte dos honestos.
Não é incomum o YouTube cortar a contagem de plays de um vídeo ao identificar acessos artificiais. Em fóruns de músicos, há relatos de artistas que foram banidos após comprarem milhares de plays nos sites piratas. Mas também há quem passe ileso.
O G1 analisou quatro sites que cobram para aumentar o número de plays. Todos têm origem nebulosa.
1- O Streamify, o mais citado em fóruns, é um site que diz funcionar nos EUA desde 2010. Mas o endereço é de uma empresa da Bulgária criada em 2014.
2- O Streampot, holandês, era bastante citado. Atualmente, porém, ele direciona os pedidos de compra para outro site, o Streamko, sem explicar a relação entre as marcas.
3- O Massmediaplus, registrado no Canadá, não dá nenhuma informação sobre a empresa. Há apenas relatos de supostos clientes (exemplo:Ótimo serviço, Ben, usuário do YouTube.)
4- O último, Fiverr, é de uma empresa israelense com anúncios de freelancers de vários serviços. Nele não há venda direta de plays, mas há uma área de serviços de Spotify em que pessoas cobram para incluir músicas em playlists.
Nenhum dos sites respondeu às perguntas enviadas por e-mail sobre o seu funcionamento.

Novos músicos: empurrão arriscado

Estou sempre buscando promover minhas músicas e achei esse site. Alguém conhece?, pergunta um usuário no fórum oficial do Spotify, apontando para um dos serviços de inflar contagem.
Já usei e funcionou. Mas ouvi que eles usam robôs para gerar streams, mesmo dizendo que não, responde outro. Um usuário que trabalha com marketing, então, conta: Gerencio quase 60 contas no Spotify e já tive 6 deletadas [após o Spotify detectar plays ilegítimos]. Não usem.
Ele explica que os serviços tentam verificar grandes alterações. Se você tem 200 plays e compra mais mil, o número quintuplicado de repente pode ser identificado. Outro músico se apavora: Cometi um erro terrível e comprei mil plays, agora não consigo cancelar.
O G1 localizou o usuário. Michael Maurice dia que tem 29 anos e é produtor de música eletrônica no Cairo, no Egito. Um amigo me mandou um link sobre uma oferta deles de mil plays gratuitos para iniciar, então pensei por que não?, sem pesquisar muito, conta. Tentei falar com eles para cancelar, mas não responderam.

E os grandes? Sertanejo admite jabá às antigas e jabá 2.0

Com músicos mais populares, pode ser mais difícil detectar a fraude. Se ele tem 1 milhão de cliques, vai bem nas paradas e turbina com 100 mil para se sair ainda melhor (só 10% mais). Ninguém vai notar, certo? Mais ou menos... A ação de robôs pode deixar vestígios:
- Discrepância entre visualizações e outras interações. Exemplo: um clipe foi visto 5 milhões de vezes, mas tem só 200 comentários, bem menos que outros clipes no mesmo patamar.
- Comentários básicos ou sem sentido, em idiomas de locais onde o mercado de robôs é aquecido, como russo.
- Número exageradamente alto em relação a outras redes sociais. Exemplo: um clipe com 5 milhões de views de um artista com 200 seguidores no Twitter.
Esses exemplos acima são reais. Um artista sertanejo aceitou falar com o G1 sobre seu sucesso inflado sob condição de não ser identificado. Seu relato ajuda a entender o que leva muitos artistas que, segundo ele, já recorriam ao antigo jabá para as rádios, a usarem também o jabá 2.0.
Quando ele lançou seu clipe, em 2013, tocar em rádio não era o único objetivo. Você vai a um programa de TV e te apresentam dizendo quantos milhões você tinha no YouTube. Então todo mundo mete o pau, ele explica.
Ele afirma que não se envolvia diretamente no jabá - nem nas rádios, nem em cliques falsos do YouTube. O tal clipe de 5 milhões de views, no auge do sertanejo pegação, foi o máximo que ele conseguiu.
Após romper com os empresários, lançou um disco no final de 2015 e colocou todas as músicas no YouTube. A faixa mais ouvida teve 1,8 mil acessos. Hoje, aos 27 anos, não sabe se vai continuar a carreira.

Brasileiros alugam playlists

Outra prática para simular sucesso é comprar espaço em playlists. As listas de faixas, criadas pelos próprios usuários e que outros ouvintes podem seguir, são cada vez mais populares. Assim como uma emissora de rádio cobra para tocar, donos de playlists estão fazendo o mesmo.
Em agosto de 2015, após denúncias nos EUA, o Spotify mudou seus termos de conduta: proibiu explicitamente usuários de aceitarem dinheiro ou outra compensação para incluir músicas em playlists.
Mas ainda é fácil achar sites que atuam como "classificados" de aluguel de playlists. O G1 falou com Fernando Machado, brasileiro que tem uma lista no Spotify com 1,5 mil seguidores. O número é modesto, mas permite uma fonte de renda extra. Ele cobra R$ 15 para incluir uma música por duas semanas na lista.
O site mostra que mais de 100 pessoas já recorreram a esse serviço. Fernando também é músico e usa o dinheiro em sua própria carreira. Eu trabalhava como vendedor de loja, não ganhava muito bem, fui mandado embora. Falei: Tenho que fazer alguma coisa para investir na minha música, conta.
O mercado paralelo é tão aquecido que tem até quem ofereça o serviço de ouvinte compulsivo. O perfil de um brasileiro identificado no site como Gustavo Santos cobra R$ 15 para ouvir sua música em uma playlist que toca por 24 horas por dia, 7 dias por semana, durante 2 meses. Já teve 41 clientes.

Advogados: serviços de streaming devem reforçar ação

Além de burlar os termos de uso do sites, inflar a contagem artificialmente é crime? Sim, caso seja provado o uso de robôs ou outros acessos que não de ouvintes reais. A fraude pode ser considerada estelionato, por provocar prejuízo a outros músicos ou aos serviços de streaming, diz o advogado criminalista Diogo Tebet, Presidente da Comissão de Processo Penal da OAB-RJ.
Músicos (que podem ganhar menos dinheiro na divisão dos serviços de streaming e perder o lugar em shows e outras mídias diante dos fraudadores) ou empresas de streaming podem pedir ao Ministério Público para investigar a prática, caso se sintam lesados, diz Tebet.
No entanto, seria difícil investigar a origem dos acessos e comprovar como e quando os robôs foram usados, especialmente com os sites estrangeiros. É difícil apontar uma infração, pois há pouca regra específica para essa área digital, diz Luiz Fernando Marrey Moncau, de 35 anos, pesquisador do Stanford Center for Internet and Society.
O caso de vendas de lugares em playlist é ainda mais difícil de ser questionado legalmente, diz Moncau. O Brasil não tem regras específicas nem contra a prática de jabá em rádios.
O G1 perguntou ao Google e ao Spotify (líderes no mercado de streaming de música) e ao ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) se eles pediram ou vão pedir investigação. Nenhum deles respondeu a este questionamento. O Ministério Público de São Paulo também foi procurado e disse que não há investigação sobre este assunto.
O mais provável, por enquanto, é que a solução venha com medidas das próprias plataformas de streaming, dentro de seus ambientes. Daniel Campello Queiroz, advogado e dono da CQRights, empresa que gerencia direitos autorais musicais, diz que as empresas devem investir nas ferramentas para perceber e banir os robôs.
A perda para os artistas que não fraudam seus números é clara: eles acabam ganhando menos direitos autorais. Mas todos podem se dar mal. O artista que faz isso, caso se descubra e prove, certamente vai perder sua credibilidade perante os fãs e a indústria.

O que dizem Google e Spotify

Tanto o YouTube quanto o Spotify permitem publicidade paga oficial em suas plataformas. Esses anúncios, legítimos, podem ajudar os artistas a divulgarem seu trabalho e terem mais visualizações. Mas o material deve ser claramente indicado como conteúdo publicitário das empresas, e só vai fazer o número subir se um usuário real clicar e ouvir a música.
É do interesse deles, portanto, combater estes atalhos de manipulação de números pelos usuários, como os robôs, as fazendas de likes e a venda de playlists particulares.
Eles enviaram notas ao G1:

Google: A contagem de views é incrivelmente importante para nós no YouTube. Nós tomamos ações contra views gerados de maneiras que não seguem nossas regras, incluindo tentativas de terceiros de inflar artificialmente a contagem.

Spotify: Nós levamos a atividade de streaming fraudulento extremamente a sério. O Spotify possui várias ferramentas de detecção de fraude monitorando o consumo no serviço para detectar, investigar e lidar com atividades fraudulentas. Continuamos a investir pesadamente nos processos de refinação e na melhora dos métodos de detecção e remoção, para continuarmos reduzindo o impacto dessa atividade nos criadores de conteúdo e detentores de direitos legítimos.




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20/04/2018
DJ Avicii morre aos 28 anos
DJ e produtor sueco Avicii morreu aos 28 anos nesta sexta-feira (20). O corpo do músico foi encontrado na cidade de Mascate, em Omã, no Oriente Médio. A causa da morte ainda não foi divulgada.
É com profundo pesar que anunciamos a perda de Tim Bergling, também conhecido como Avicii, diz o comunicado da assessoria do DJ enviado à imprensa.
Ele foi encontrado morto em Mascate, Omã, na tarde desta sexta. A família está devastada e pedimos a todos para respeitar, por favor, a sua necessidade de privacidade nesta ocasião difícil. Declarações adicionais não serão feitas.
Avicii foi um dos maiores nomes da música eletrônica dos últimos anos. Ele nasceu em Estocolmo e assinou com o selo Dejfitts Plays em 2007, aos 18 anos. Em 2013, lançou seu trabalho de estreia, True, com uma das músicas de maior sucesso no mundo daquele ano, Wake me up. Em 2015, lançou o álbum Stories.
Entre seus outros sucessos estão Hey brother, I could be the one e Levels. Avicii era associado aos subgêneros da música eletrônica de house progressivo, electro house e EDM.
Outros artistas da música eletrônica, como Calvin Harris, Marshmello e DJ Snake, lamentaram a morte de Avicii. 

PROBLEMAS DE SAÚDE
Em 2014, Avicii cancelou todos os compromissos profissionais daquele ano. Seus representantes disseram que o DJ iria descansar em sua casa em Estocolmo, e se recuperar de complicações relacionadas a cirurgias para remover o apêndice e a vesícula biliar, feitas no começo daquele ano.
A notícia levou a comentários sobre a aparência do cantor em redes sociais. Na época, fãs divulgaram fotos em que Avicii aparecia muito magro. Uma das imagens, divulgada pelo selo de música eletrônica Straight Up, dos EUA, tinha a legenda: Avicii parece estar com 70 anos, parece que realmente precisa de um descanso, com certeza.
20/04/2018
EU MORO NUM SÍTIO, lançamento da dupla Rionegro & Solimões
Durante a semana inteira, dou um duro de verdade.
Sexta-feira à tarde arreio o meu cavalo e vou pra cidade.
Aí o bicho pega, eu caio na zoeira.
É só mulher bonita e muita bebedeira.
Quem aí se identifica com o lançamento de Rionegro & Solimões - EU MORO NUM SÍTIO?


Letra:

Eu moro num sítio levo uma vida simplesinha
Pulo da cama cedo pra tirar leite das vaquinhas
Umas galinhas no quintal, os porquinhos no chiqueiro
Um galo apaixonado que canta no meu terreiro
Durante a semana inteira dou um duro de verdade
Sexta-feira à tarde arreio o meu cavalo e vou pra cidade  

Aí o bicho pega, eu caio na zoeira                          
É só mulher bonita e muita bebedeira
Eu perco o juízo, eu saio da casinha
Começo no boteco, depois passo na boate e amanheço na chacrinha 
 
Aí o bicho pega, pega, pega, pega, pega eu caio na zoeira   
É só mulher bonita e muita bebedeira
Eu perco o juízo, eu saio da casinha            
Começo no boteco, depois passo na boate e amanheço na chacrinha
 
Só volto pro rancho domingo de tardezinha

Durante a semana inteira, dou um duro de verdade
Sexta-feira à tarde arreio o meu cavalo e vou pra cidade     

Aí o bicho pega eu caio na zoeira   
É só mulher bonita e muita bebedeira
Eu perco o juízo, eu saio da casinha
Começo no boteco, depois passo na boate e amanheço na chacrinha

Aí o bicho pega, pega, pega, pega, pega eu caio na zoeira
É só mulher bonita e muita bebedeira
Eu perco o juízo, eu saio da casinha
Começo no boteco, depois passo na boate e amanheço na chacrinha

Só volto pro sítio domingo de tardezinha
Lembro uma vez que eu voltei           
Segunda de manhãzinha
E outra vez eu fiquei     
A semana inteirinha!

18/04/2018
Entenda a doença de Simaria - TUBERCULOSE GANGLIONAR
A cantora Simaria, da dupla sertaneja com Simone, foi diagnosticada nesta terça-feira (17) com tuberculose ganglionar. Segundo infectologistas ouvidos pelo G1, essa forma doença não é contagiosa e tem baixa chance de morte.
Ela estava internada desde o dia 12 de abril no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Simaria teve alta nesta terça, mas vai continuar o tratamento em casa, sob observação médica.

TIPO MENOS FREQUENTE
De acordo com o infectologista Eduardo Martins, do Instituto Brasileiro para Investigação da Tuberculose, essa versão ganglionar é apenas uma apresentação mais rara da infecção:
É o mesmo bacilo da tuberculose pulmonar. A pulmonar é apenas o tipo mais frequente de apresentação da tuberculose, com 85% dos casos. De uma forma geral, é uma bactéria que dá em todos os órgãos: pulmão, coração, pleura e também nos gânglios.

DIAGNÓSTICO
No diagnóstico são utilizados os seguintes exames: baciloscopia, teste rápido molecular para tuberculose e cultura para micobactéria, além da investigação complementar por exames de imagem.

TRATAMENTO
O tratamento do tipo ganglionar é o mesmo da tuberculose comum. O paciente deve ser tratado com antibióticos durante pelo menos seis meses, segundo orientações do Ministério da Saúde e do médico especialista.
A pessoa precisa manter o tratamento por no mínimo seis meses a um ano. Não pode parar, porque se nem todas as bactérias forem atingidas pelo antibiótico, podem surgir cepas resistentes. Tuberculose tem cura, mas precisa seguir de forma bem rigorosa a prescrição do médico, disse o infectologista Edimilson Migowski.

CAUSAS
A tuberculose ganglionar pode se desenvolver devido a uma baixa no sistema imunológico. É uma doença agressiva por si só. Quando você tem sarampo, uma doença viral extremamente agressiva, baixa a imunidade e você tem pneumonia como consequência. Já a tuberculose tem essa coisa de reativar, mas ela é agressiva por si. A bactéria fica incubada e pode ser que o aumento do estresse, baixa imunidade, reativem a doença, explica Eduardo Martins.
A quantidade enorme de shows, comendo mal, viajando de um lugar pro outro, estresse, podem causar a tuberculose. - Edimilson Migowski

SINTOMAS
Os sintomas, de acordo com os especialistas, são febre, calafrios, inchaço com dor, perda do apetite, suor excessivo.
Os sinais são pouco significativos e não chamam muito a atenção no início: uma febre baixa, que acontece geralmente no final do dia, cansaço, mal estar, sensação de fraqueza, tosse, dor no corpo, suor noturno e inapetência, explica a colunista do G1, Dr Ana Escobar.
Estes sintomas, por serem muito inespecíficos, podem perdurar meses sem que a pessoa procure o médico. Muitos confundem este quadro com o cansaço e a correria do dia a dia e vão levando a vida.

PREVENÇÃO
A principal maneira de prevenir a tuberculose em crianças é com a vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin), ofertada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). Normalmente já administrada para os bebês na maternidade, com 48 horas de vida, e faz parte do calendário público de vacinação.

DOENÇA DO MUNDO
O mais recente relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a tuberculose mostra que desde 2000 os casos da doença caíram 37% no mundo. No entanto, segundo a entidade internacional, a doença foi a condição infecciosa por agente patológico único que mais matou em 2016 - ficando à frente do HIV.
De acordo com a OMS, a tuberculose também é a principal causa de óbitos relacionados à resistência bacteriana e a principal causa de morte entre pessoas com HIV. A organização também alerta que muitos países não estão colocando em curso esforços suficientes para atingir as metas globais de controle da doença.
Enquanto o mundo se comprometeu a acabar com a epidemia de tuberculose até 2030, ações e investimentos não correspondem à retórica política. Precisamos de uma abordagem dinâmica, global e multissetorial, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

CONSCIENTIZAÇÃO
Conhecer os sintomas da tuberculose e divulgar a importância da tuberculose são tarefas que já envolveram personalidades que tiveram a doença. O zagueiro do Paris Saint-Germain Thiago Silva e o cantor Thiaguinho participaram de ações do ministério. Ambos tiveram a doença e se recuperaram plenamente.
Apesar de curável, a tuberculose atinge 6 milhões de pessoas e mata 1 milhão por ano em todo o mundo, de acordo com o Ministério da Saúde. No Brasil, a doença é um problema sério de saúde pública, e a cada ano são notificados cerca de 70 mil novos casos e 4,5 mil mortes.
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